Josué Gonçalves de Araújo e Nirothon Pereira,
lançam o primeiro volume de uma saga chamada
“VAMPIROS”.

 

 A SAGA DOS VAMPIROS

Próximos lançamentos:

 VAMPIROS - VOL. 2 - Os grimórios da feiticeira

VAMPIROS - VOL. 3 - A maldição do sangue

VAMPIROS - VOL. 4 - A bruxa do leste

 * Histórias completas.

Não percam ...  as emoções do próximo episódio.

... As revelações surpreendentes de Socorro.

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 Outras obras escritas dos autores para futuras publicações:

 A SAGA:  COLEÇÃO AMAZÔNIA - “Os entes encantados da natureza”

(Inspirado nos “causos” folcloricos da Amazônia)

 PLANO DA OBRA - A saga: “COLEÇÃO AMAZÔNIA”

Volume I – A Gênese Elemental
Volume II – A Sina da Mãe D’Água.
Volume III – A Matinta Pereira, Saci Pererê e Curupira...
Volume IV – O Reino do Olho D’Água.
Volume V – Sarambuí.
Volume VI - Refúgio dos Guardiões.
Volume VII – Batalha dos Guardiões.

 ...são mais de 10 volumes já escritos.

 OS VIGILANTES DA NATUREZA EM CORDEL

 Toda a edição da série “Os Vigilantes da Natureza em Cordel”, será em volumes no formato padrão do Cordel com 32 páginas cada livreto.

Da mesma forma que o cordel, nas décadas passadas, escrito sob o princípio da oralidade, fluiu coletivamente numa população, na maioria analfabeta ou semianalfabeta, alegrando e encantando, informando e educando, despertando talentos e provocando sonhos, assim é, os contos e fábulas infantis para o mundo das crianças e ou adultos.

Transformar esses contos, lendas e fábulas em versos de cordel é potencializar os benefícios e objetivos dessa forma de expressão literária.

O objetivo é divulgar e mostrar o Cordel, esse gênero literário, no intuito de incentivar as pessoas, além de conhecer e gostar de literatura através dos versos e das regras do Cordel, mas incentivar o processo de conscientização da preservação ambiental.

Levar o cordel ao maior número de pessoas, objetivando torná-las multiplicadoras desta arte, tão nossa.

 Apresentar a comunidade, as escolas, pesquisadores e/ou educadores o Cordel com o seu humor, harmonia, melodia, ritmo, rima, métrica, provérbios e brincadeiras como fontes de cultura, lazer e mensagens de conscientização e incentivo a defesa e a preservação do meio ambiente.

Posteriormente, possibilitar realizações de eventos que viabilizem a divulgação do Cordel, através de livretos, palestras, oficinas, saraus, apresentações “lítero-musical” e teatrais concernentes a temática, de forma que expõe em sua proposta a receita certa para fortalecer o conhecimento dos apreciadores da cultura popular.

Viabilizar a acessibilidade do Cordel para que ele seja reconhecido em nível de igualdade com os outros gêneros da literatura brasileira;

Incentivar as pessoas a gostarem de literatura brasileira, através do Cordel.
Mostrar o Cordel como gênero poético de qualidade, resgatando-o da marginalidade literária.
Cordel é poesia e poesia é literatura, uma forma genuína de manifestação da cultura brasileira.

A literatura de Cordel, desde o seu início, tem se utilizado de toda uma rica variedade temática de valores culturais, tais como: Contos populares, Fábulas e estórias de encantamento ou de outros ciclos, difundidos, criados ou transformados em cordel, alegrando, educando, Informando, despertando o talento latente, nas crianças e nos adultos.

O cordel, essa literatura estruturada sob o princípio da oralidade, flui coletivamente, alcançando com êxito, inclusive a população que não tem o hábito da leitura ou que não sabe ou não pode ler e absorver os benefícios literários.

SOBRE A SAGA

Lembro-me lá da região do Pontal do Paranapanema, quando, ainda garoto, saí de uma mata totalmente desorientado, após ter atirado num pássaro que era impróprio para a alimentação. Só cheguei em casa porque o meu primo segurou a minha mão e me carregou. Segundo os mais velhos, eu havia sido castigado pelo Saci, Curupira, Caipora ou coisa semelhante, seres encantados que protegem a natureza.                           

Não é interessante que todos os causos dos seres encantados que se ouvem falar por boca de pessoas, em lugares completamente distantes, sempre tem algo em comum? Defesa da natureza! Todos, de certa forma tem a função de proteger a natureza dos predadores. São muitos os relatos de caçadores que não respeitam a natureza e que sofrem alguma punição ou aos seus próprios cães que, desorientados, apanham de uma chibata invisível. Sempre acreditei que não existe fumaça sem fogo.

Tinha em mente o intuito de escrever sobre a magia dos Elementais, interagindo com o nosso povo. Uma série em Cordel sobre esses entes encantados, heróis, guardiões da natureza. Pensei em viajar para um lugar onde houvesse evidência desses seres. Ouvir as pessoas da região e obter relatos, inclusive de possíveis vítimas. De repente o Nirothon José Cardoso Pereira, lá do Pará, se apresentou a mim, através da internet.

Um leitor de Cordel, que desde a infância, reuniu em sua coleção, mais de 300 livretos de Cordel, e que viveu e vive ainda, no Pará, integrado a natureza, onde os fatos acontecem.  Niro demonstrou possuir uma imaginação fértil para a criação de histórias de seres encantados. Enviou-me um rascunho onde a Mãe d’Água era a principal personagem. Estava em versos de cordel. Havia sido recusado nas editoras, mas eu me interessei por aquela pedra bruta e decidi lapidá-la. Havia sim, um diamante lá dentro.

Nirothon demonstrou flexibilidade e alegria. Pintou ai a ideia de uma parceria para o projeto da saga: Coleção Amazônia - “Os vigilantes da natureza em Cordel”. Depois de definido o projeto, as ideias surgiam e davam forma. A princípio definimos todo o projeto em uma trilogia, mas as ideias continuavam e por fim, ampliamos para sete volumes, com a sensação de que poderíamos criar mais outros volumes sobre o assunto. Hoje já passamos dos 10 volumes. Informações transitavam daqui pra lá, de lá pra cá, gerando uma sincronia cada vez mais perfeita, entre nós. A noite, ouvia do celular do Niro, a sinfonia dos sapos e pererecas do lago à beira do seu trabalho. A minha mente voava e ao revisar um simples texto - histórias e histórias nasciam dentro da história principal. Niro tinha a preocupação de observar e aperfeiçoar o uso das regras do Cordel, para desenvolver melhor o seu talento de criatividade. A medida em que estreitávamos a relação de parceria, eu ampliava a admiração pela sua genialidade. O cordelista dentro dele, aos poucos se aflorava, procurando o ponto de equilíbrio com o gênio criativo. O processo de criação de histórias com Niro era estimulante. Eu me sentia o mestre e o discípulo, simultaneamente. Também fui fisgado pelo Cordel na infância.

Minha Avó, analfabeta mas de boa audição, de tanto ouvir e decorar os tais romances de cordel, foi (como uma professora) quem me despertou e me apontou o caminho dos livros, da literatura, da poesia, do escritor cordelista que me tornei, enfim... “O caminho seguro do conhecimento”.

Aos 6 anos de idade descobri a literatura, ao ouvir da sua boca, em versos de cordel, a “História do Valente João Acaba Mundo e a Serpente Negra”, do saudoso cordelista Minelvino Francisco Silva - (1926-1998).
“Se os olhos da vovó se negavam a ler e as mãos cegas a escrever, restava-lhe os ouvidos para ouvir e aprender.”

Hoje, algumas daquelas pessoas ouvintes, são escritores – como eu -, outras são professores e até ilustres da literatura brasileira, com fama internacional.
Atualmente, em nosso Brasil com menor índice de analfabetismo, o Cordel continua presente em muitos livros paradidáticos, adotados para serem trabalhados em escolas públicas ou eventos culturais.     

Josué

          Os Elementais

 ” Elemental – Vida espiritual emanada do “Absoluto”. Para iniciar o projeto de evolução nos planos: Astral e Material e posterior retorno ao plano espiritual.

  • Espíritos: Seres viventes em três categorias:  Elementais, Anjos e Humanos.Elementais: Espiritual

      • Espíritos do plano espiritual que interagem no plano Astral e Material.  Forma: física e/ou astral

        • Domínio sobre os elementos: Ar, Fogo, Água e Terra.

Silfos – Elementais do ar;
Salamandras – Elementais do fogo;
Ondinas – Elementais da água;
Gnomos – Elementais da terra.

  • Missão: Proteger a natureza e inspirar os humanos.

  1. Anjos: Espiritual/Astral.
    Espíritos do plano espiritual que interagem no plano Astral.
    Espíritos do plano astral expulsos do plano espiritual e que interagem entre o astral e o material.

  • Missão:
    Espiritual – missões especiais de benefício a todos os seres dos reinos: Elemental, Angelical e Humanos.
    Astral – iniciar a incorporação através da matéria física - humana.

    • Humanos: Forma Física.
      Ser Astral incorporado a forma (material-física) humana. 

  • Missão: Peregrinação através das trevas da matéria, vivenciando o antagonismo da dualidade, as duas faces do conhecimento: o bem e o mal, o certo e o errado, positivo e negativo, o alto e o baixo, a frente e o atrás, dentro e fora, o amor e o ódio, alegria e a tristeza, a dor e o prazer, ... objetivando o equilíbrio, a evolução e o retorno final às origens no plano espiritual.

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Bilac’s, Leandro’s e o Cordel                      

Na poesia tem Bilac’s e Leandro’s; Ataíde’s e Ariano’s! Na arte também tem política. Mas na arte também tem, um ou mais, Carlos Drummond de Andrade.

Da Política 

A política se forma pela dualidade: direita / esquerda com as suas variações ideológicas. O objetivo explícito é o povo, mas na realidade, o exercício da política não deixa dúvidas de que a política é um instrumento de uso a favor do próprio indivíduo político. Vence o mais inescrupuloso. O político visa a plenitude material, econômica e o poder individual. 

Da Arte 

A arte, quando oriunda de talentos genuínos, visa a alma, a humanidade. O produto da arte são mensagens objetivando o benefício humano: A música, a literatura, a poesia, o desenho, a pintura, a dança, o teatro... Os benefícios materiais e econômicos resultante do exercício da arte são consequências, quando ocorrem. A maioria dos gênios da arte morreu, pobres ou afortunadamente infelizes. Castigo pela posse e uso do talento – dom – transformado em instrumento de arrecadação financeira? A arte deveria ser utilizada, exclusivamente, para o crescimento espiritual. Por que a fonte cósmica dotaria um ser humano de um dom especial, com o propósito de ajudá-lo a adquirir fortunas pessoais? Não seria mais lógico que a fonte divina tivesse como prioridade de propósitos, a essência espiritual?

Grandes gênios do Futebol jogaram por amor a arte, outros pararam na hora certa para se transformar em estrelas, almejando fama e poder econômico. Os primeiros jogaram pela alma, os outros precisam bajular a elite para estar em evidência: Serem privilegiados pela influência política. É a política individualista usando a arte em favor do “artista-empresário da arte”. Assim, o verdadeiro objetivo da arte se apresenta como secundário. 

O Pai do Cordel

O martírio de Leandro Gomes de Barros começou aos nove anos de idade sob o julgo de um tio-padre de conduta questionável. Leandro morreu cedo com apenas 53 anos de idade.

De influenza ou de influência política?

O que dizer da influência econômica dos parentes mais ricos que levaram toda a herança? 

            A influenza Clerical ou Econômica?

Depoimento de Cristina Nóbrega: Lendro foi meu bisavô, irmão de Daniel Gomes da Nóbrega. Portanto, Leandro era um Nóbrega. Mudou para Barrros em decorrência de um discussão com o seu tio, o Pe. Vicente.
Quando os irmãos do Pe. Vicente morreram, ele ficou por tutor das duas famílias, uma estava falida, e a outra tinha dinheiro. O Pe. Vicente passou, então, os bens do irmão para o outro, deixando a família de Leandro (bem como o meu bisavô Daniel) na miséria. E quando Leandro foi tomar satisfações, ele mandou dizer que "na cabaça ainda cabia orelha". Leandro, com raiva, mudou o sobrenome de Nóbrega para Barros. (26/06/2007)
Trecho do site: http://www.camarabrasileira.com/cordel12.htm 

[...]
”E é irmão da mãe dele,
Esse fera inconsciente,
Só odiava o Cancão
Por ser mais inteligente
E os filhos de monstro
Brutos desgraçadamente.”

Verso de Cancão de fogo de Leandro. 

            A influenza Política-social

De Leandro disse Carlos Drummond de Andrade:

“Em 1913, certamente mal informados, 39 escritores, num total de 173, elegeram por maioria relativa Olavo Bilac príncipe dos poetas brasileiros. Atribuo à má informação porque o título, a ser concebido, só poderia caber a Leandro Gomes de Barros, nome desconhecido no Rio de Janeiro, local da eleição promovida pela revista FON-FON, mas vastamente popular no Nordeste do país, onde suas obras alcançaram divulgação jamais sonhada pelo autor de ‘Ouvir Estrelas’.”
http://www.confrariadovento.com/revista/numero19/aderaldo.htm                                                          

Segundo Permínio Ásfora, Leandro teria sido preso em 1918 porque o chefe de polícia considerou afronta às autoridades alguns dos versos da obra "O Punhal e a Palmatória", trama que tratava de um senhor de engenho assassinado por um homem em quem teria dado uma surra.O verso desrespeitoso de "O Punhal e a Palmatória" é: 

 “Nós temos cinco governos
O primeiro o federal
O segundo o do Estado
Terceiro o municipal
O quarto a palmatória
E o quinto o velho punhal”

Em abril do mesmo ano (1918) em Recife, Leandro Morreu, segundo consta, vitimado pela gripe espanhola - influenza. Doença ou Política?

A política quando usa a arte como instrumento para atingir os fins individuais, seleciona o produto da arte de acordo com a sua conveniência. Os artistas genuínos são transformados em adversários. A esses, restam os palcos a margem do reduto, do que se oficializou como elite da arte. 

Mais de Drumond: 

“Acrescentava que Leandro “... não foi príncipe de poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão e do Brasil em estado puro”. 

Disse-nos desse mesmo Leandro, o velho e bom Câmara Cascudo: 

Um dia, quando se fizer a colheita do folclore poético, reaparecerá o humilde Leandro Gomes de Barros, vivendo de fazer versos, espalhando uma onda sonora de entusiasmo e de alacridade na face triste do sertão”.

Sofremos desse mal de memória e de preconceito.” 

http://www.confrariadovento.com/revista/numero19/aderaldo.htm

Josué Gonçalves de Araújo/2014

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Relação dos artigos abaixo:

1- Literatura de cordel, Literatura brasileira

2- Jornal A Tribuna - Batatais entrevista Josué sobre o assunto - Cordel

 

 

 Literatura de Cordel, Literatura Brasileira

APROPUC-SP 10.03.09
Aderaldo Luciano


1. Uma literatura da terra

A Literatura de Cordel, vista muitas vezes, ou quase sempre, como arte de segunda categoria, pela sua origem sócio-racial, é fenômeno ímpar. Afirma Joseph M. Luyten:

Ao contrário de outros países, como México e Argentina, onde esse tipo de produção literária é normalmente aceita e incluída nos estudos oficiais de literatura - por isso poemas como "La cucaracha" são cantados no mundo inteiro e o herói de cordel argentino, Martin Fierro, se tornou símbolo da nacionalidade platina - as vertentes brasileiras passaram por um longo período de desconhecimento e desprezo, devido a problemas históricos locais, como a introdução tardia da Imprensa no Brasil (o último país das Américas a dispor de uma imprensa), e a excessiva imitação de modelos estrangeiros pela intelectualidade (Luyten apud Vicente, 2000, prefácio).

Acrescentamos à observação do Dr. Luyten o aspecto preconceituoso com que as elites acadêmicas brasileiras olharam para a produção poética popular. De fato, nossos compêndios e manuais de história da literatura brasileira, incluindo-se livros didáticos destinados ao ensino fundamental e médio, desviam-se da Literatura de Cordel como o diabo da cruz, utilizando o termo "popular". Qualquer citação virá eivada de caráter exótico, nunca com apuro crítico. Como experiência, procuremos o verbete Literatura de Cordel na Enciclopédia de Literatura Brasileira, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Souza. Encontraremos menção a dois ou três títulos de ensaios sobre o tema, mas nada sobre ela mesma. O verbete veio na letra C, "Cordel, literatura de". Esse verbete repete o Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara Cascudo, ao mesmo tempo em que a associa à memória dos cantadores e vates populares, seus transmissores orais. Para depois passar à classificação dos temas versados, citando Franklin Maxado:

... folhetos de época, de ocasião, históricos, didáticos ou educativos, biográficos, de propaganda política ou comercial, de louvor ou homenagem, de safadeza... (Cascudo, 2002: 527)

E são arrolados uma infinidade de temas. Chama-nos a atenção o fato primeiro de o verbete não vir na letra L de literatura, mostrando-se excludente. Por que apresentá-la como Cordel? Será porque não é aceita como literatura?
Quando situa a literatura de cordel como versão escrita da oralidade poética dos cantadores, é, no mínimo, omissa, a Enciclopédia, chegando ao risível. Ora, toda a literatura universal não é herança da oralidade? A escrita não é fruto secundário da linguagem? Por que, então, observar isso como característica da literatura de cordel?
E no que diz respeito ao tema: toda a literatura não trata dos mesmos temas? Para quê uma listagem de temas, se a produção literária é fruto da observação social e da vivência particular de cada autor? Para mostrar, exoticamente, que, apesar de o autor popular ser um homem simples, preocupou-se com temas os mais diversos, como se estivesse descobrindo o mundo e seus semelhantes, emergindo das trevas profundas da ignorância?
Todas as literaturas nacionais têm a sua formação no conjunto de lendas e histórias contadas pelo seu povo, repassadas oralmente. A literatura grega funda-se sobre as narrativas homéricas. A teoria e a crítica literária tiveram sua gênese com as normatizações apresentadas por Aristóteles sobre esse corpus. Tomando, ainda, a literatura grega como arrimo, seus temas não passaram pelos mesmos da literatura de cordel? Não houve uma poesia didática com Hesíodo? E romances de amor e aventura com Xenofonte de Éfeso e Aquiles Tácio?
Poderíamos nos alongar sobre exemplos da literatura alemã com A canção dos Niebelungos; da francesa, com A canção de Rolando; da espanhola, com O cantar do meu Cid, ou ainda mencionar as baladas dinamarquesas do século XVII para sustentar o raciocínio sobre a formação das literaturas com gênese na oralidade como processo natural.
Tratávamos, em parágrafo anterior, da presença da literatura de cordel nos estudos sobre literatura brasileira. Aliás, tratávamos da ausência. Nenhum dos nossos reconhecidos estudiosos reserva-lhe lugar em suas obras principais. Sabendo-se que Leandro Gomes de Barros foi o primeiro a publicar seus folhetos e editá-los sistematicamente, não lhe é devida nenhuma citação em Formação da Literatura Brasileira: momentos decisivos, de Antonio Candido, nem em A Literatura Brasileira, de José Aderaldo Castelo, tampouco na História Concisa da Literatura Brasileira, de Alfredo Bosi. Dá-se o mesmo em Ronald Carvalho, Nelson Werneck Sodré e José Veríssimo. Sílvio Romero, embora não o cite, nem poderia, visto não terem sido contemporâneos, em sua História da Literatura Brasileira trata das tradições populares, referindo-se ao seu volume dedicado a estudos sobre poesia popular no Brasil.
Quanto aos livros didáticos, o que se apresenta é uma periodização das Épocas Literárias desde Portugal. Mesmo atribuindo valor ao trovadorismo português, ao cancioneiro de Garcia de Resende, às cantigas de Martim Codax e D. Dinis, ou Joan Airas de Santiago, escritos primevos, nada sobre Literatura de Cordel. É como se esse fenômeno não tivesse acontecido. Deve-se ao trabalho de pesquisadores particulares, paladinos e quixotes, a tentativa de integração e enquadramento dessa literatura no todo literário brasileiro, exemplo seguido por algumas instituições, como a Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, e Fundação Joaquim Nabuco, em Recife, Pernambuco, citando as mais conhecidas.
Que essas observações sejam feitas não como meta de nosso pequeno roteiro de estudos. Sejam, sim, uma marca a ser observada em nosso rumo. A constatação de como um produto tão rico e importante na construção de uma nação, a nação identitária dos nordestinos e a brasileira por extensão, por motivos os mais diversos, é esquecido do que Ariano Suassuna, citando Machado de Assis, diz ser o Brasil Oficial.
Arnaldo Xavier, no artigo O Maior Poeta que Deus Crioulo (Xavier, in www.muse.jhu.edu/demo/cal/18.4xavier_p.html), diz que a Literatura de Cordel "... é uma forma única de comunicação que mistura poesia, humor e epopéia." Essa compreensão acrescenta uma qualidade que pode inserir definitivamente essa forma de produção literária naquele todo brasileiro já citado. A característica épica.
As aproximações de Ariano Suassuna, vide o Auto da Compadecida, cujos heróis João Grilo e Chicó são crias confessas da Literatura de Cordel, e de João Cabral de Melo Neto, em Morte e Vida Severina, com seu Severino retirante, dão bem a dimensão do poder transformador do cordel.
Esse poder torna-se ainda mais observável quando propomos fazer uma aproximação com a épica clássica. Para vários autores, a literatura brasileira inicia com a Prosopopéia, de Bento Teixeira (1601), marco, também, do Barroco brasileiro. O poema épico traduz-se como uma imitação capenga de Camões, além de ser uma peça encomiástica que de literatura pouca coisa possui. No dizer de Anazildo Vasconcelos da Silva: "A importância da Prosopopéia está em ser a primeira obra, na ordem natural, a fazer a sintonia histórico-cultural do Brasil com o mundo" (Silva, 1987: 26).
Essa obra, detendo valor histórico-cultural, sobrepõe-se a toda produção do cordel, levada a cabo numa terra sobre a qual apenas os infinitamente mais fortes se fixam. Entre o valor literário da Prosopopéia e o valor literário da produção do cordel, quem estaria mais próximo do épico? O imitador de Camões ou o autêntico cancioneiro nordestino? Apresentar respostas com mais perguntas é, agora, o mais sensato. Que foi feito de Sousândrade? O Guesa foi esquecido, deixado à sombra, para só há pouco ser definitivamente incorporado ao Cânone da literatura brasileira. Mas, o que é o Cânone literário brasileiro? Certa vez, Olavo Bilac riu sobre os versos de Augusto dos Anjos, aquele caso singular da literatura brasileira. Comentando o título de Príncipe dos Poetas obtido, em votação, por Bilac, diz Carlos Drummond de Andrade:

Em 1913, certamente mal informados, 39 escritores, num total de 173, elegeram por maioria relativa Olavo Bilac príncipe dos poetas brasileiros. Atribuo a má informação porque o título, a ser concebido, só poderia caber a Leandro Gomes de Barros, nome desconhecido no Rio de Janeiro, local da eleição promovida pela revista FON-FON, mas vastamente popular no Nordeste do país, onde suas obras alcançaram divulgação jamais sonhada pelo autor de "Ouvir Estrelas" (Drummond de Andrade apud Barros, 2002: 18).

Dito isso, discorre sobre diferenças entre os dois poetas:

Um é poeta erudito, produto da cultura urbana e burguesia média; o outro, planta sertaneja vicejando à margem do cangaço, da seca e da pobreza.

Arrematando:

Aquele tinha livros admirados nas rodas sociais, e os salões o recebiam com flores. Este, espalhava seus versos em folhetos de cordel, de papel ordinário, com xilogravuras toscas, vendidos nas feiras a um público de alpercatas ou de pé no chão.

Fecha dizendo sobre Leandro:
... Não foi príncipe de poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão e do Brasil em estado puro.

Volta a pergunta para reflexão: o que é o nosso cânone literário e quem o elege?
Adiantemo-nos. O nosso primeiro poeta genuíno foi Gregório de Mattos, que popularizou a poesia na Bahia. Por longos anos, suas peças satíricas foram relegadas ao limbo, ao umbral, detrectadas, enquanto sua produção religiosa e lírica era estudada em longos serões e conferências. Mas, essa produção esbarra nos apócrifos e apógrafos reproduzidos em folhas soltas pelas esquinas da cidade de Salvador, o que lhes confere um caráter duvidoso. E isso não ofusca a pena do Boca do Inferno. O Boca de Brasa é poeta e, assim como Abraão, aquele patriarca hebreu, pai de dois filhos: Isaac, representando os escolhidos, o cânone, com uma seqüência que vai dos árcades aos concretistas e à vanguarda pós-moderna atual, e Ismael, representando os banidos, abrangendo todo um arsenal de poetas populares, desde Leandro Gomes de Barros até Azulão, despachando versos na Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro.

2. Cordel e épica

Ao tomar a Prosopopéia, de Bento Teixeira, para o trabalho de comparação sobre épica, quisemos lançar olhares para essa característica da literatura de cordel. Durante seus primeiros tempos, a literatura brasileira, como toda e qualquer literatura colonial, foi a sombra da metrópole, da Europa. A literatura de cordel, também em formação, aproveitou-se de temas europeus. Daí porque as histórias de cavalaria e bravura irrigaram nossos folhetos. Citar uma ou outra, fazer levantamentos e catalogações seria redundante em nosso contexto, visto que outros já o fizeram com maior acuidade. E mesmo, é o óbvio. O certo é que, assim como o todo literário brasileiro, buscava-se uma identidade. Havia a forma, o conteúdo era ainda difuso. O encontro da literatura de cordel com o cangaço nordestino foi como o estabelecimento do caminho a ser seguido. O assunto, gerado a partir de problemas sócio-econômicos -e culturais, transformou-se no ponto decisivo da criação de uma identidade literária. O ciclo épico dos cangaceiros na literatura de cordel é o marco divisório. O Nordeste começou a falar de si e a buscar seus heróis, encontrando nos cangaceiros seus representantes na luta contra a injustiça social. Observa Mark Curran:

No cordel, o cangaceiro é o herói por excelência, misto de bandido, criminoso e lutador pela justiça no sertão nordestino. Nas obras cordelianas contemporâneas, é visto como o tipo heróico legítimo, maior do que a vida, verdadeiro "cavaleiro do sertão", com as cintas repletas de balas, o rifle "papo-amarelo", o revólver e o facão. É conhecido pelos epítetos: Rei do Cangaço, Rei do Sertão, Terror do Nordeste, Rifle de Ouro, Leão do Norte, Mestre da Morte e, no caso do célebre Lampião, Galo Cego (Curran 2001: 61).

Reiteramos que esse encontro ofereceu à literatura de cordel o seu herói. Franklin Távora, em 1876, apresentava, sob o nome de Literatura do Norte, um volume, um romance histórico, cujo herói era um desses: o Cabeleira. Um precursor, talvez. Távora afirma que

... o protagonista da presente narrativa, o qual se celebrizou na carreira do crime, menos por maldade natural, do que pela crassa ignorância... Autorizavam-nos a formar este juízo do Cabeleira a tradição oral, os versos dos trovadores e algumas linhas da história que trouxeram seu nome aos nossos dias envolto em uma grande lição (Távora, 1973: 31).

O apelo popular e seus versos, ao que parece, já tentavam construir uma identidade, pautada na ausência de justiça. Como nos revela o Major Optato Gueiros, da Polícia de Pernambuco, oficial responsável por combater e perseguir cangaceiros: "Dentre as causas propulsoras da evolução do banditismo, não resta a menor dúvida, que figura em primeiro plano a injustiça" (Luna, 1972: 23).
E como salienta Luis da Câmara Cascudo:

O sertanejo não admira o criminoso, mas o homem valente (...) Para que a valentia justifique ainda melhor a aura popular na poética é preciso a existência do fator moral. Todos os cangaceiros são dados inicialmente como vítimas da injustiça. Seus pais foram mortos e a justiça não puniu os responsáveis. A não-existência desse elemento arreda da popularidade o nome do valente. Seria um criminoso sem simpatia.
O sertão indistingue o cangaceiro do homem valente (Cascudo, 1984: 160-61).

Ou mesmo a revolta de Zé da Luz:

Na Capitá Federá,
Tenho visto brasilêro
Dizê que o sertão só dá
Assarcino e cangacêro!

Cangacêro e assarcino!...
- O qui faltou no sertão
Foi livro prá Antonho Silvino,
Justiça prá Lampião! (Luz, s/d: 1949)

Claro que o nosso trabalho não quer justificar o cangaço, tampouco estudá-lo em minúcia, mas tão-somente situá-lo, numa preparação ao encontro com aquele que marcará definitivamente a história da Literatura de Cordel e do Nordeste, tornando-se um ícone indelével.
Desde aquele Cabeleira, outros foram se destacando neste tipo de empreitada: a formação do cangaço. Luis Luna apresenta-nos um rosário de cangaceiros:

Zé Pereira, Antonio Silvino, Casemiro Honório, os irmãos Porcino, Antonio Quelé, os chefes mais importantes do cangaço... Essa chuva caiu quando Virgulino Ferreira da Silva mal entrava na adolescência, aos 17 anos de idade (Luna, 1972: 24-25).

Leandro Gomes de Barros dedicou boa parte de seus folhetos ao cangaceiro Antonio Silvino. Certamente, se tivesse sido contemporâneo de Lampião, a produção cordeliana sobre o Rei do Cangaço teria triplicado sua importância.
Abramos um pequeno espaço para uma indicação, pela qual acreditamos poder desfazer um equívoco. Muitos estudiosos confundem a poesia dos cantadores repentistas nordestinos com a Literatura de Cordel. É certo que sejam irmãs. E como todos os irmãos, sejam, também, diferentes. Os poetas cordelistas raramente são repentistas ou glosadores. São poetas da letra, conhecidos como poetas de bancada, sofrendo inclusive algum preconceito por parte daqueles. O repente é obra de momento, é construção oral cuja maior característica é ser efêmero, fruto do improviso. Por isso são famosos os desafios e pelejas, nos quais dois cantadores se debatem em criações e trava-línguas, em perguntas e respostas. O Cego Aderaldo gabava-se de nunca ter repetido um verso. Nenhum cantador que se preze escreverá seus versos para depois os decorar, cantando-os memorizados. Cantar com versos decorados é uma desfeita, uma aberração causadora de constrangimentos e agressões. O verso cordeliano, ao contrário, é fruto do trabalho, da elaboração. É o mesmo trabalho beneditino da Profissão de Fé de Olavo Bilac (Bilac, 1940: 5-10).
Os equívocos e maus olhares com que a Literatura de Cordel foi observada por muito tempo precisam urgentemente de revisão. Se, para Antonio Candido, a existência de uma "literatura propriamente dita" requer alguns denominadores:

... a existência de um conjunto de produtores literários, mais ou menos conscientes do seu papel; um conjunto de receptores, formando os diferentes tipos de público, sem os quais a obra não vive; um mecanismo transmissor, (de modo geral, uma linguagem, traduzida em estilos), que liga uns a outros. O conjunto dos três elementos dá lugar a um tipo de comunicação inter-humana, a literatura, que aparece sob este ângulo como sistema simbólico, por meio do qual as veleidades mais profundas do indivíduo se transformam em elementos de contacto entre os homens, e de interpretação das diferentes esferas da realidade (Candido, 1997: 23).

A produção cordeliana cumpre os pressupostos. É literatura. E mais: pela importância superior na construção identitária de um povo, não pode mais ficar de fora dos estudos sobre formação da literatura brasileira, nem ser um mero artigo, parente do artesanato. Repetimos Sílvio Romero:

Se vocês querem poesia, mas poesia de verdade, entrem no povo (...)
Poesia é no povo. Poesia para mim é água em que se refresca a alma e esses versinhos que por aí andam, muito medidos, podem ser água, mas de chafariz, para banhos mornos em bacia, com sabonete inglês e esponja. Eu, para mim, quero águas fartas - rio que corra ou mar que estronde. Bacia é para gente mimosa e eu sou caboclo, filho da natureza, criado ao sol (Romero apud Mota, 1987: 25).

3. Finalmentes

As invasões e descobrimentos foram revelando epopéias nacionais pelo mundo: o Mahabarata, na Índia; a saga de Átila e Os Nibelungos germânicos; os Edda nórdicos. O descobrimento português sepultou nossas epopéias. Não as cantamos, pois não as conhecemos. O surgimento da literatura de cordel, todavia, ofereceu-nos uma segunda chance. Os temas cantados por ela, em seus princípios, eram temas ibéricos. Versões populares para os poemas épicos franceses e espanhóis. Mas essa mesma busca de identidade, que moveu escritores cultos, levou-a a cantar (ou contar) fatos sociais recentes, transformando-se numa espécie de imprensa sertaneja. Foi o período de estabelecimento de seus alicerces formais.
Um trabalho que pense a relação entre as epopéias nacionais e a Literatura de Cordel seria o fruto dessa breve conclusão. Ao propormos um olhar mais aguçado e menos preconceituoso para o cordel nordestino, referimo-nos ao fato de que todas as tentativas de escrever uma epopéia nacional tenham sido, de certa forma, ou de forma certa, infrutíferas. Enquanto isso, com toda sua fragilidade, de base popular, sofrendo perseguições e sendo ignorada, a Literatura de Cordel resistiu, fundou sua própria poética, consagrou poetas, penetrou em todas as camadas sociais, influenciou escritores e estudiosos, transformou-se num símbolo, ícone, índice, signo e sinal de uma Nação e, ao encontrar a matéria épica dos cangaceiros, em particular o épico maior, Lampião, estabeleceu-se definitivamente como veículo portador de nossa verdadeira identidade. Literatura de cordel como tal, só acontece no Brasil. Perguntamos, em última instância: Quando exumaremos os nossos mortos para dar-lhes destinos decentes? Servir-nos-ia a voz do último cantor épico Marcus Accioly (Accioly, 2001: 101):

Ah pudesse eu cantar os teus heróis
(uns poucos que conheço em meu país)
os de rifles lixados pelos sóis
(de alpercatas-de-sola sem verniz
sobre o couro curtido) os dos aiós
da vida (há trinta anos por um triz
da morte) e cartucheiras de cangaço
em cruz no peito (as tais cangas-de-aço)

vivendo cada dia o mesmo risco
de cada noite (o tempo com um baralho
cortado ao meio em lances de perigo)
ó tarô da existência (ó jogo falho)
ah pudesse eu cantar Lusbel-Corisco
(Diabo-Louro) "uns sapatos do caralho"
(como diria Márquez) Lampião
com seu olho (à Camões) vendo o Sertão

(sim) pudesse em cordel cantar (...)
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Bibliografia
ACCIOLY, Marcus. Nordestinados. 3 ed. Rio de Janeiro: José Olympio; Recife: FUNDARPE, 1986.
__________. Latinoamérica. Rio de Janeiro: Topbooks/Biblioteca Nacional, 2001.
BARROS, Leandro Gomes. No reino da poesia sertaneja. Org. Irani Medeiros. João Pessoa: Idéia, 2002. (Boi Misterioso)
CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos. Vol. 1. 8 ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1997. (Reconquista do Brasil, 2ª série, V. 177)
CARVALHO, Ronald. Pequena história da literatura brasileira. 13 ed. Belo Horizonte: Itatiaia; Brasília: INL, Fundação Nacional Pró-Memória, 1984. (Biblioteca brasileira de literatura, V. 4)
CASTELO, José Aderaldo. A literatura brasileira: origens e unidade. Vol. 1. São Paulo: EDUSP, 1999.
CASCUDO, Luís da Câmara. Vaqueiros e cantadores. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: EDUSP, 1984. (Reconquista do Brasil, nova série, V. 81)
__________. Cantadores. 6 ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1987. (Obras folclóricas de Leonardo Mota, V. 1)
CURRAN, Mark. História do Brasil em cordel. 2 ed. São Paulo: EDUSP, 2001.
LITERATURA POPULAR EM VERSO. Estudos. Tomo I. Rio de Janeiro: Casa de Rui Barbosa, 1973. (Coleção de textos da Língua Portuguesa moderna)
LUNA, Luiz. Lampião e seus cabras. Rio de Janeiro: Livros do Mundo Inteiro, 1972.
LUYTEN, Joseph M. A notícia na literatura de cordel. São Paulo: estação Liberdade, 1992.
__________. O que é literatura popular. 2 ed. Sã o Paulo: Brasiliense, 1984. (Primeiros passos, V. 98)
LUZ, Zé da. Brasil caboclo. 6 ed. João Pessoa: Acauã, s.d.
ROMERO, Silvio. Estudos sobre a poesia popular do Brasil. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 1977. (Dimensões do Brasil).
__________. História da literatura brasileira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1980. Vol. 2, 3 e 4.
SILVA, Anazildo Vasconcelos da. Semiotização literária do discurso. Rio de Janeiro: Elo, 1984.
VICENTE, Zé. Combate e morte de "Lampião". In: Zé Vicente: poeta popular paraense. São Paulo: Hedra, 2000. (Biblioteca de Cordel).
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Aderaldo Luciano Mestre em Ciência da Literatura e pesquisador da Universidade Federal do
Rio de Janeiro

Postado em:
http://www.apropucsp.org.br/apropuc/index.php/revista-cultura-critica/31-edicao-no06/252-literatura-de-cordel-literatura-brasileira
 
 

 Jornal A Tribuna - Batatais entrevista Josué sobre o assunto - Cordel

"Eu fiquei satisfeito com a entrevista. Foi publicado exatamente tudo o que eu disse. Gosto de Batatais e agora já estou na história da cidade através desse jornal. Devia haver muito mais entrevistas sobre esse assunto. As pessoas não sabem o que é realmente cordel e principalmente as novas gerações. Vamos ver o que acontece nessa novela. Eu estou sempre a disposição para contribuir na divulgação dessa arte literária.
Agradeço ao Jornal, na pessoa do Jornalista Samuel e a Fany, também jornalista que viabilizou esse contato.
sábado, 26 de março de 2011"
***

Posto abaixo o original da entrevista:Perguntas enviadas pelo Jornal para serem respondidas:


Ao escritor cordelista Josué:

Tribuna
- Os Portugueses quando aqui chegaram introduziram a Literatura de Cordel, desde então essa arte tem passado por um processo de aquisição de identidade com características tipicamente Brasileiras, sendo difundida principalmente na região Nordeste do país. Como você analisa esse processo de transformação?
Josué - Não reconheço a origem do nosso cordel dessa forma. Segundo o professor Doutor Aderaldo Luciano, pesquisador do CNPq, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, autor de O auto de Zé Limeira e coordenador editorial da Editora Luzeiro, a principal casa de publicações em cordel, “o nosso cordel, apareceu no final do séc. XIX, no Recife-PE, onde foi impresso e ganhou a forma poética que o distingue.” Há quem afirme que a sua origem se deu na Paraiba, talvez porque o seu criador, Leandro Gomes de Barros, nasceu em pombal/Paraiba em: 19/11/1865 e morreu em 04/03/1918. – Foi Leandro quem Criou, formatou, imprimiu e difundiu o cordel, na forma de expressão como se mantém até hoje. Pode-se afirmar que o Cordel que conhecemos é genuinamente brasileiro.
Literatura de cordel ou simplesmente, Cordel?
Ainda segundo a tese de Aderaldo, “Como sabemos, o termo “Literatura de Cordel” é dado aos folhetos porque eles eram expostos à venda dependurados em barbantes ou cordéis. Tal denominação já era usada em Portugal... (BATISTA, op.Cit.,p.XXIII)” Na verdade, eu nunca vi e nem ouvi dizer que alguém tenha comprado um cordel dependurado em algum barbante e preso com prendedores de roupas. Todas as folhas soltas e/ou livretos dependurados em barbantes, lá em Portugal, ficou conhecido como “Literatura de Cordel”, mas, se foi Leandro quem criou o nosso cordel e tornou impresso o primeiro livreto, então, lá nos barbantes (cordéis) de Portugal, não podia haver nenhum folheto com as formatações do nosso Cordel.

Tribuna
- Como você encara a atual abrangência dessa Literatura nas demais regiões do país? É bem difundida?
Josué: Sobre a abrangência do Cordel nas demais regiões do país, não tenho informações estatísticas precisas a respeito. Dos cordelistas da geração atual, alguns são, também pesquisadores do Cordel como é o caso do professor Marco Haurélio, que lançou recentemente o livro: “Breve história da literatura de cordel” , João Gomes de Sá que lançou “Alice no País da Maravilhas em Cordel”, Varneci Nascimento que entre tantos livretos da editora Luzeiro, também lançou pela editora Nova Alexandria o clássico “Memórias Póstumas de Braz Cubas em Cordel”, o nosso Aderaldo Luciano mestrado e doutorado em literatura com tese em Cordel e outros grandes cordelistas incansáveis na difusão do nosso cordel. Eles tem viajado pelo nordeste, tem pesquisado e eventualmente, trazem notícias do Cordel e dos cordelistas do nordeste mas, creio que o movimento maior, tem sido mesmo em São Paulo. Há o movimento denominado “Caravana do Cordel”, criado por um grupo de cordelistas com o apoio da Editora Luzeiro, também o grupo de estudos: “Roda de Cordel” e outros movimentos.

Tribuna - Quando falamos em Cordel, também estamos falando da arte da xilogravura. Ambas as manifestações artísticas compuseram uma união perfeita. Qual a sua visão a respeito das ilustrações presentes no Cordel?
Josué: Cordel é Cordel e Xilogravura é outra arte. Há informações de que, após 50 anos da existência do Cordel brasileiro, alguns autores passaram a se utilizar de ilustrações de Xilogravuras nas capas dos livretos de Cordel. Hoje se contrata um artista para criar e desenhar capas, a mão ou através da informática e nem por isso o Cordel perde as suas características.
O hábito de apresentar o Cordel através da cantoria do repente e/ou da xilogravura é falta de total conhecimento das origens do nosso Cordel. Xilogravura é uma arte, o cordel é outra e a cantoria é outra. O repentista pode cantar um cordel já escrito; Também ele pode criar e escrever um cordel, mas o repente cantado e normalmente acompanhado por uma viola é produto do improviso. O Cordel não é improviso. O Cordel é: Métrica, ritmo, rima, estrofação, lírica, épica e drama...

Tribuna
- A Literatura de Cordel tem assumido uma forte função social ao tratar de questões como a coleta seletiva e reciclagem de lixo, enfim, o respeito ao nosso meio ambiente. Como você avalia o impacto de temas como esses sendo tratados no Cordel?
Josué - Para essa pergunta vou me valer da resposta do Cordelista Varneci Nascimento da editora Luzeiro, um dos fundadores do movimento “Caravana do Cordel”, visto que ele procura escrever sobre os mais variados temas:
“Avalio que é muito importante, visto que, usando a linguagem do cordel pode-se atrair muito mais os leitores que normalmente são jovens e adolescentes. A musicalidade e a rima do cordel oferecem esse dinamismo e só agora essa linguagem bela e secular começa a causar um maior impacto em todos os âmbitos sociais. Hoje em dia a maioria dos temas transversais como os já citados, estão sendo trabalhados pela linguagem cordeliana com grande êxito.”

Tribuna - Acredita que Literatura de Cordel recebe a atenção merecida por parte da sociedade ou é tratada de maneira superficial, como por exemplo, nos estudos voltados à Literatura Brasileira?
Josué: Drumond, publicou no jornal do Brasil em 09/09/1976, a crônica “Leandro, o Poeta”, onde registrou: “...que a láurea de, “O príncipe dos poetas brasileiros” outorgado em 1913 a Olavo Bilac, a rigor só podia caber a Leandro Gomes de Barros, planta sertaneja vicejando a margem do cangaço, da seca e da pobreza.” E conclui: - "Não foi príncipe do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão, e do Brasil em estado puro".
O cordel continua a motivar, estudos e pesquisas nas áreas de Antropologia, Folclore, Lingüística, Literatura, História,... no entanto, os velhos conceitos de que a literatura de cordel, ou simplesmente, Cordel, é um subproduto popular, permanecem. Atentem para o termo “Literatura de Cordel” ou “Literatura Popular”, usado para se referir ao Cordel. O Cordel é poesia com todas as regras poéticas, tal qual a trova e o soneto. Alguém já ouviu o termo: Literatura de trova, ou Literatura de soneto? Não. O Cordel nunca esteve inserido nas antologias da literatura chamada de “erudita”, “oficial”. Por que?

Tribuna - Como educar e tornar a sociedade preparada para absorver a mensagem da literatura cordelista?
Josué: Primeiro através do currículo escolar. Não só a inserção no currículo, mas, o necessário apoio do governo para criar toda uma estrutura de apoio a impressão, divulgação e distribuição do Cordel a começar pelas escolas e colégios. Projetos de apoio a oficinas de cordel para os professores e/ou alunos. Maior utilização dos meios de comunicação, mas, sem confundir o ouvinte com apresentações de cantorias de repente e xilogravuras com o título de Cordel. Cada coisa no seu lugar.

Tribuna
- Em poucas semanas, estreará na Rede Globo a novela Cordel Encantado, que trará em seu enredo um pouco dessa literatura. Isso é encarada de maneira positiva pelo senhor?
Josué: Sim. Toda forma de divulgação do Cordel é positiva e necessária. Com os primeiros anúncios da estréia da novela Cordel Encantado, nós os cordelistas percebemos alguma movimentação, telefonemas de pessoas perguntando a respeito, toda uma energia se ampliando nesse sentido. Por outro lado, eu, pessoalmente, tenho minhas preocupações com a forma de cordel que poderá ser apresentada:
Houve uma pesquisa ou palestras sobre o assunto com cordelistas? Quem? A classe dos cordelistas não é tão ampla quanto a classe dos escritores não cordelistas. Quais as fontes? Os primeiros anúncios de estréia mostram uma cantoria de repentes e imagens de xilogravura, mas e o Cordel?

O cordel é o “gênero de maior vitalidade na literatura brasileira” e como tal deve ser divulgado.
 
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Três caminhos para o cordel

Por Aderaldo Luciano
Em 17/06/2012

.A respeito de Ferrabrás e Oliveiros.

Leandro Gomes de Barros é, sem qualquer sombra de dúvida, o pai do cordel brasileiro. Não só por ter sido pioneiro nas publicações ou ter inventado a profissão de autor-editor-revendedor de folhetos. Também, e talvez seja o indício mais forte, por ter experimentado todas as formas, estilos e modalidades poéticas. Experimentou para depurar. Degustou quadras, sextilhas, septilhas, décimas, martelos e outras estrofações. Foi do cordel ao soneto, cançonetas, odes, paródias. Provou das pelejas, contos universais, novelas ibéricas. Enveredou pelos temas sociais, cantou a cidade do Recife, glosou com outros amigos poetas. Crítico contumaz, observador político, não teve medo de errar, nem de quebrar o pé de algum verso. Rebuscou sua escrita e fundou o seu “marco brasileiro”. Ninguém o superou. Pelo contrário, qualquer referência à poesia cordelística obrigatoriamente deverá citar o filho de Pombal.

Dentro de sua produção encontraremos a fundação das adaptações para o cordel brasileiro das novelas clássicas europeias como Donzela Teodora, João Da Cruz, O Rei Miséria, Branca de Neve, Juvenal e o Dragão, entre outros. Contemplando, ainda, esse veio do cordel brasileiro, nos deparamos com esse capítulo da História de Carlos Magno: a Batalha de Oliveiros e Ferrabrás. Alguns pesquisadores, e muitos poetas, acreditam existir um ciclo carolíngio no cordel do Brasil por conta desse poema de Leandro. Refuto isso. Primeiro por não aceitar a classificação em ciclos, segundo por não encontrar um número significativo de obras dentro do todo cordelístico que satisfaça esse olhar. Supondo que se possa classificar o cordel em ciclos, pergunta-se como se caracteriza um ciclo, o que o determina? A resposta seria a presença de uma produção expressiva no bojo da produção total do cordel, bem como seu prolongamento no tempo e no espaço.

Não é o que se vê nesse caso de Carlos Magno. Podemos listar, além dos folhetos de Leandro, esta Batalha, e a Prisão de Oliveiros, quantos outros títulos? Talvez não cheguem a dez. Considerando a produção de cordel no Brasil, digamos 50 mil títulos numa contagem sem qualquer suporte palpável, cinco ou dez folhetos nada representam. Agora, olhemos para sua produção no tempo. Quantos folhetos sobre Carlos Magno foram produzidos no ano de 2011? Talvez um, mas não coloca o Rei de França em outras aventuras, a não ser nessa célebre batalha. E no espaço? Não constam folhetos sobre a cavalaria carolíngia escritos e publicados em São Paulo, ou no Rio, recentemente. Argumento fazendo a analogia com Lampião: em todos os tempos e em vários lugares haverá sempre um poema sobre o herói nordestino e o número de títulos no qual é protagonista aumenta a cada dia. Entretanto isso é só mais um debate. O mais importante é que, com ciclo ou sem ciclo, deve-se a Leandro a inauguração da presença de Carlos Magno e seus doze pares de França na Literatura Brasileira, e não só no cordel.

Sobre Varneci Nascimento.

Há algum tempo li um cordel intitulado A peleja de Aloncio com Dezinho. Fiquei entusiasmado com a possibilidade de ver as pelejas voltando às raias do cordel. Surpreendi-me mais ainda porque aquela não era uma peleja tradicional, como nós conhecemos, retratando o ambiente de uma cantoria, com dois cantadores disputando proezas e trava-línguas. Transcendia a tradição e apresentava, em um trabalho poético-antropológico, um mecanismo social conhecido como batalhão, praticamente desaparecido da região de Banzaê, cidade do norte da Bahia.

O motivo do batalhão era um mutirão de homens que escolhiam a roça daquele mais precisado para capinar e preparar a terra para o cultivo de uma lavoura. A motivação era servida pelo canto coletivo, um ritual no qual os cantos de trabalho determinavam a disposição dos trabalhadores. Mas esse canto era diferente: regiam-no dois poetas repentistas, improvisando seus versos, intermediados por um refrão. Ao invés do som monocórdio das violas, o ritmo se dava pelo atrito das enxadas no solo e a solfa, a melodia, repetia-se de uma fonte ancestral indeterminada.

Em minha tese de doutorado repeti a primeira estrofe do folheto, que não colocarei aqui para obrigar o leitor a buscar essa peleja com o próprio autor. Na época, afirmei ser uma das mais belas aberturas de cordéis que eu já lera. Jorrava sensibilidade e a rima certa, o metro perfeito: a exatidão. Prosseguia de forma idêntica por mais sete ou oito estrofes até o narrador sair de cena e oferecer voz aos repentistas. Dados os motes e os temas, lá iam eles capinando, como se a roça fosse uma imensa catedral a céu aberto por onde ecoava o canto gregoriano dos que afagavam a terra buscando sua misericórdia, a fertilidade.

O autor construía, assim, o seu marco diferenciador: o registro de uma tradição asfixiada. Pois bem, agora outra fase norteia seu trabalho. Com mais de duzentos títulos produzidos, já despediu-se a tempos dos escritos intuitivos, assumindo a rédea arrazoada do seu fazer poético. Marca de sua produção é o seu compromisso social. Historiador que é, transporta para seu cordel a reflexão sobre os fatos decisivos da história nacional, leiam-se O massacre de Canudos e O cangaço sustentado por coronéis.

Não fica nisso, trafega pelo gracejo com desenvoltura. Veja-se o caso de Iniciação sexual na zona rural, no qual cria, para a reflexão sobre os ritos de passagem ligados à sexualidade, um ambiente de humor para suavizar as situações vexatórias típicas aos pré-adolescentes. O seu nome inscreve-se na história do cordel brasileiro. Seu poema O martírio de uma mãe pelo filho drogado (Editora Luzeiro, 2011) consolida o seu lado de humanista, preocupado com a ética e com os caminhos da sociedade e, mais, é o texto agraciado com o Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel 2010 – Edição Patativa do Assaré. Varneci Nascimento é referência do cordel em São Paulo. Como se diz em suas costas: — É uma autarquia!

Os cabelos do Diabo, segundo Josué Gonçalves.

A figura do diabo popularizou-se no Nordeste brasileiro com o cordel. Todavia, diferente daquele elemento medonho, dono de maldades e tenebroso, oriundo da magia negra, senhor das trevas, encontramos nas sextilhas cordelísticas um ser que, apesar de conservar sua face maligna, transforma-se em uma ferramenta de riso, secretário do humor, ambulante carrancudo da gargalhada. Parece paradoxal, mas foi a forma de os leitores e ouvintes verem-se vingados.

Portador de alcunhas as mais diversas, o infiel desfila, neste poema que apresento, como o coisa-ruim, o tinhoso, chifrudo, capeta, arrenegado, bicho-papão, transformando-se de encarnação do terror em oráculo da benignidade ao revelar, sem o saber, os enigmas necessários ao herói do poema para que seja bem sucedido em sua missão. É o conto de Grimm adaptado às estrofes clássicas do cordel. É a representação universal do vencedor que todos ousamos ser. O caminho para a redenção dos depauperados, pelas artes mágicas.

Josué estreou no cordel, na Luzeiro, com uma trama original O coronel avarento (ou O homem que a terra rejeitou) e seguiu o caminho com O mistério da pele da novilha. Antes, embrenhara-se pelo conto e pelo romance, treinou sonetos, mas foi no embate com o cordel que sentiu ter encontrado seu caminho. Segundo diz, iniciou-se tarde. O cordel, entretanto, alojou-se em seu coração desde quando ouviu, pela primeira vez, os antigos versos das histórias pioneiras jorrando da leitura ritmada de Sá Maria, sua avó.

O valente João Acaba-Mundo foi seu herói primevo, seu modelo, durante aqueles primeiros dias, posteriores à audição. Ali, o cordel escolhera mais um. Passados 50 anos, escreveu sua primeira página cordelial. Movido pela ansiedade, satisfeito com a receptividade de estreia — o meio cordelístico paulistano o abraçara —, coisa que move todo iniciante, Josué partiu para a produção e publicação de suas histórias. Seu encontro com a Caravana do Cordel foi decisivo, amadureceu sua prática poética e estabilizou sua necessidade de escrever.

Agora, conhecedor das nuanças caprichosas dessa forma poética, encontraremos nele uma letra leve e escorreita, que sabe narrar e descrever. Em suas rimas ouviremos a boa sonoridade desejada. Em sua métrica, o resultado do estudo aplicado. Com a publicação de Os três fios de cabelo de ouro do diabo (Luzeiro, 2011), consolida-se em seu labor literário, cumprindo, assim como o filho da sorte de seu cordel, mais uma etapa de sua missão. Sabendo que o rio, com seu barqueiro mal humorado, ainda está longe de se fazer presente, acreditamos que sua inspiração nos presenteará em breve com outra história original, saída diretamente para o cordel, oferecendo-lhe o caminho da continuidade criativa. Josué sabe, com todas as certezas, que é o cordel quem escolhe e não o poeta.

 

Aderaldo Luciano é paraibano, nascido em Areia, poeta, professor de Teoria da Literatura e cozinheiro amador. E-mail: luizcangaceiro@gmail.com

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